Tamanho de tubete

Tubetes para eucalipto clonal: 50, 110 ou 180 cm³?

7 min de leitura · Atualizado em agosto de 2026

A escolha do volume do tubete não é só uma decisão de recipiente — ela determina quanto substrato você precisa comprar, qual o custo por muda e, mais importante, como o sistema radicular da muda vai se desenvolver antes de ir para o campo. Tubete pequeno demais aumenta o risco de enovelamento (deformação das raízes) e reduz o crescimento inicial no campo. Tubete grande demais aumenta custo de substrato e frete de mudas sem necessariamente melhorar o desempenho.

Mudas em bandejas de viveiro florestal organizadas em filas
Densidade de plantio no viveiro varia conforme o volume do tubete: tubetes maiores ocupam mais espaço e aumentam o custo fixo de estrutura.

Referência de volumes padrão

VolumeAplicação típicaCiclo estimadoSubstrato/muda
50–55 cm³Eucalipto clonal — miniestaquia25–35 dias50–55 mL
110 cm³Eucalipto clonal (mudas maiores), seminal, pinus45–90 dias110 mL
180 cm³Eucalipto seminal, pinus taeda, nativas pequenas60–120 dias180 mL
290 cm³Nativas de médio porte, espécies de ciclo longo90–180 dias290 mL

Tubete 50–55 cm³: o padrão industrial do eucalipto clonal

O tubete de 50–55 cm³ é o mais utilizado nos grandes viveiros clonais brasileiros (Suzano, Bracell, Klabin, Veracel). Ele minimiza o custo de substrato por muda — a apenas 50 mL de substrato por célula — e permite densidades de até 700 tubetes/m² de bancada, o que reduz o custo fixo de infraestrutura do viveiro por muda produzida.

A desvantagem é a tolerância zero a erros de substrato. Com 50 mL de volume, qualquer variação na retenção hídrica, CE ou granulometria do substrato afeta o enraizamento de forma imediata. O protocolo de nebulização precisa ser preciso — e o substrato precisa ser consistente entre lotes.

Atenção ao enovelamento: estudos do SciELO (Cerne, 2013) mostram que mudas de eucalipto em tubetes de 55 cm³ mantidas além do ciclo ideal (30–35 dias) desenvolvem raízes em espiral que persistem no campo e comprometem o crescimento nos primeiros 6 meses. Respeite o prazo de expedição.

Tubete 110 cm³: equilíbrio entre custo e qualidade

Para eucalipto clonal de programas que exigem muda maior (plantas com 25–35 cm de altura na expedição), o tubete de 110 cm³ é a escolha mais comum. Ele dobra o volume de substrato por muda em relação ao 50 cm³, mas oferece melhor tolerância a variações de protocolo e permite ciclos mais longos sem risco de enovelamento.

Para produção seminal (onde a semente germina direto no tubete, sem estaquia), o 110 cm³ é o padrão por permitir desenvolvimento de raiz pivotante sem restrição excessiva.

Tubete 180 cm³ e maiores: para espécies de ciclo longo

Para pinus taeda (ciclo de 90–120 dias) e espécies nativas que precisam de mais volume de raiz antes do plantio, o tubete de 180 cm³ é mais adequado. O custo de substrato é três vezes maior por muda do que o 50 cm³, mas o resultado é uma muda mais robusta com menor mortalidade no campo.

O volume de substrato anual para viveiros que usam 180 cm³ aumenta proporcionalmente. Um viveiro de 5 milhões de mudas/ano nesse volume consome cerca de 900 m³ de substrato/ano — quase o dobro do consumo de um viveiro equivalente em 50 cm³.

Impacto no custo de substrato por muda

Usando um preço de referência de R$ 450/m³ para pó de coco fino entregue:

Volume do tubeteSubstrato por mudaCusto substrato/mudaCusto/mil mudas
50 cm³0,05 LR$ 0,023R$ 22,50
110 cm³0,11 LR$ 0,050R$ 49,50
180 cm³0,18 LR$ 0,081R$ 81,00
290 cm³0,29 LR$ 0,131R$ 130,50

Para um viveiro de 10 milhões de mudas/ano em tubetes de 50 cm³, o custo total de substrato a R$ 450/m³ é cerca de R$ 225 mil/ano. O mesmo viveiro em 110 cm³ teria custo de R$ 495 mil/ano — a diferença de R$ 270 mil/ano justifica muito bem a especificação cuidadosa do volume correto.

Fileiras de mudas em viveiro florestal com bancadas organizadas
A densidade de tubetes por m² de bancada é diretamente afetada pelo volume do tubete: 50 cm³ permite até 700 mudas/m², 180 cm³ apenas 250–300 mudas/m².

Qual escolher para o seu viveiro?

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